18 de janeiro de 2022

RODOVIA


Em uma rodovia, vê-se de tudo,
Motorista agitado e peitudo,
Cabeludo, careca e testudo.
Caminhoneiros que não tem estudo.
Em veículos pequenos, os cabeçudos,
Ultrapassando e fazendo de tudo.

Rodovias esburacadas,
Com crateras escancaradas.
Precisando serem duplicadas.
Sem acostamentos e desqualificadas,
Aos motoristas sendo emboscadas.
Precisando serem reasfaltadas.

As ultrapassagens assustam,
Outros devagar desfrutam,
Da paisagem, aproveitam.
Alguns na esquerda relutam,
Irritando os corretos que surtam,
Esbravejam, xingam, flertam.

Elias C. Brandão - 07/01/2022

NASCENTE


Adentrando a natureza,
Eis uma correnteza.
Das laterais a nobreza,
Minas surgiam da profundeza.
Ouvir o silêncio era a sutileza,
Naquele lugar, pura beleza.

Algo triste veio à mente, o desmatamento.
Minas aterradas, sem arrependimento.
Áreas arrasadas pelo desmatamento.
Rios pedem socorro do assoreamento,
Homens cegos, sem sentimento.
Precisam mudar de discernimento.

A proteção ao meio ambiente,
Cabe a todos, seja consciente.
Tens uma nascente? Seja eficiente.
Cuide e proteja, seja prudente.
Abrace o meio ambiente.
Acorde-se, não seja inconsequente.

Elias C. Brandão - 06/01/2022

CONFUSÃO


Não há, oh gente, maior confusão,
Nesse governo sem coração.
Negou a vacina, provocação.
Atritou-se com Anvisa, sem noção.
Consulta pública, deturpação.
Audiência pública, retardação.

Gente internado procurando ar,
Presidente nadando no mar.
Em Live, satiriza para inflamar.
Ri dos doentes - subestimar.
Sentimento nenhum para conformar,
Pior: zomba, ironiza, é de lastimar.

Em entrevistas, olha feio.
Às perguntas, fica alheio.
Nas respostas, arrodeio.
Sobre duas rodas, passeio.
Que pensa dos mortos? Odeio.
Na cabeça parece ter só tiroteio.

Que esperar de um presidente,
Que na pandemia, nada de resiliente.
Nos atos, demonstra-se prepotente.
Nos três poderes é o divergente.
Sem falar que é intransigente,
E em Brasília, de corpo presente.

Elias C. Brandão - 05/01/2022

PETS


Múltiplas formas de trabalho,
Quebrando galho,
Construindo assoalho,
Produzindo alho,
Costurando retalho,
De cabelos grisalho.

Pode ser diarista ou pedreiro,
Motorista ou floreiro,
Motoboy ou ferreiro,
Ajudante ou carpinteiro,
Maquinista ou cabelereiro,
Comerciante ou açougueiro.

Hoje chamou atenção,
Sem a mínima pretensão,
Ver catadores de pet em montão,
Pra vender era a intenção,
E viver mais um dia sem tensão,
Pois riqueza não é a presunção.

Numa rua, uma mulher recolhia,
Na sacola, garrafa pet enchia,
Os espaços, ela preenchia,
O vento lhe fazia companhia,
Caminhava e desaparecia,
Em busca de viver mais um dia.

Dois homens em outro bairro,
Nas mãos: sacola e cigarro,
Pets era a escolha do disparo,
Pois vivem no desamparo.
Num dia que se inicia bárbaro
Sem perspectiva de amparo.

Há políticas para estes invisíveis?
Na vida estão suscetíveis,
Os dias são imprevisíveis,
Alimento e banho, flexíveis,
Na sociedade, são inconfundíveis.
No dia a dia, desprezíveis.

Elias C. Brandão - 04/01/2022

17 de janeiro de 2022

NA CALÇADA


Não tem pior imagem,
No 3° dia ver na calçada e gramagem,
Humanos com pinga, drenagem?
Não. Sem futuro, foi a paisagem.

Rostos inchados,
Olhares ofuscados,
Corpos recalcados,
Semblantes pesados.

Que futuro esperam?
Que vida levam?
Que família preservam?
Que filhos operam?

Os vizinhos enxergam?
Os gestores abnegam?
Nos passos escorregam?
À pinga, se envergam.

Que politicas sociais pensar?
Planejamentos aplicar?
Ações públicas ensejar?
Agir, fazer, gestar.

É assim que se vê nas calçadas.
Solitos, em grupos, coisa engraçada?
Não. Invisíveis, pessoas amordaçadas.
Distantes dos olhares, moçada.

Esperar acontecer não dá.
A vida pra eles passa devagá,
Esquecidos, vivem como dá,
Nas cidades e também em Maringá.

Elias C. Brandao - 03/01/2022

FUTURO


Iniciar um Ano é acreditar no futuro.
Mas os gestores são maduros?
Que a educação e saúde sejam prioridades,
Emprego e investimento, potencialidades.

No segundo dia do ano cai-se na real,
O trabalho torna-se ponto cardeal.
Os fogos e champanhas se evaporaram,
O ano e a vida afloraram.

Milhares entram em férias
Milhões vivem na miséria.
Que Brasil contraditório,
Com situações de purgatório.

Há luz no fim do túnel,
Eleições com sensação de lunel.
Que a política não seja politicagem,
Que os políticos não sejam selvagens.

Elias C. Brandão - 02/01/2022

NEGACIONISTA

Iniciando dois mil e vinte e dois,
Esperança pro fim da pandemia.
Que o passado vire um depois,
Hoje, do ano é o primeiro dia,
Em busca da saúde e pois,
Viver intensamente sem eufemia.

Além da pandemia, tem a economia,
Com um presidente negacionista.
Nega a vida e a vacina todo dia.
E contaminou-nos do vírus oportunista,
Matou milhares, é o que se temia,
Que finde esse governo bolsonarista.

Hoje, primeiro dia do ano,
Bate a porta o sentimento da vida.
A esperança marca o ser humano,
Viver tornou-se uma corrida.
O vírus por certo é desumano,
Atacando e matando - homicida.

Esperamos um futuro melhor,
Com um governo de esperança.
O negacionismo só veio para pior,
O povo merece segurança.
Lutar contra os vírus: objetivo maior,
Pois brasileiro é garra, tem confiança.

Elias C. Brandão - 01/01/2022

NATIVOS DIZIMADOS

I

Brasil dos nativos,

Dos índios que ainda existem.

Dos milhões no princípio,

Apenas milhares persistem.

Os políticos, o Governo e o sistema,

Aos massacres insistem.

E mesmo em dificuldades,

Os nativos à terra-vida, não desistem.


II

Brasil 500 anos,

De índios despatriados.

Engolidos ano a ano,

Foram pisados e maltratados.

Como nativos, indianos,

Avistados foram enganados.

E em nome da civilização,

Foram dizimados.


III

Avistados foram encarados,

Como ameaça ao sistema.

A liberdade de ir e vir,

Virou um grande problema.

No mato foram encurralados,

Apanhados perderam as penas.

E pelos europeus foram en-roupa-dos.


IV

Agora vivem dilemas.

De donos a expropriados,

Como ficaram seus alentos?

Os nativos cheios de sonho,

Chegarão aos anos seiscentos?

O que se espera do futuro?

Lembranças e pensamentos?

Em constante perseguição e prantos,

Restam-lhes ficarem atentos.


V

500 anos de exploração,

De trabalho infanto-juvenil e escravidão.

De motoristas a professores,

Desvalorizados em sua profissão.

De nativos a dizimados

Lutando por direitos de cidadão.

De Direitos Humanos,

Na prática, a exploração.


VI

Brasil 500 anos:

De concentração e de sem-terras,

De bóias-frias e domésticas,

E, nas florestas, o motor-serra.

Daqui outros 500,

Que será do povo e das terras?

Na história oficial,

Registros de muitas guerras


VII

Brasil 500 anos:

De história e de vergonha.

De homens massacrados,

Acusados de manha

Vivendo mendigando,

Desgastados com o que ganham.

E, na mídia, todo dia,

Contra si muitas campanhas.


VIII

Brasil 500 anos,

Das matas,

A sem matas,

Sem reservas florestais e sem meio ambiente.

De operários, camelôs, lavradores e serventes,

Índios, brancos e mulatos, somos desobedientes?

Há outra saída, a não ser estarmos descontentes?


IX

Brasil 500 anos

De pura especulação.

Dos índios de raça pura à globalização.

De povos nativos a sem-terras dizimados.

É nosso Brasil: sempre dominado.

Alcançou uma certa prosperação,

Parou na desnutrição.


Elias C. Brandão - 2003


Publicado no livro "História social: da invasão do Brasil ao maxixe e lambari". Maringá: Massoni, 2003.

27 de julho de 2013

Mais um livro sobre Educação do Campo


Apreciamos na noite passada (26/07), numa pizzaria, o resultado final de um trabalho coletivo envolvendo nada menos que 13 pesquisadores. Foi a publicação do livro "POLÍTICAS PÚBLICAS E EDUCAÇÃO DO CAMPO NO BRASIL: Um conceito em construção".

O livro teve o prefácio do prof. aposentado da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP), Dr. Valdemar Sguissardi e, dentro de 30 dias deve estar disponível online na Editora para que o mundo possa usufruir, baixar, ler, contribuir...

No momento, os poucos exemplares (50), foram distribuídos entre os autores e serão disponibilizados em algumas bibliotecas das universidades públicas estaduais e federais, além de escolas do campo e grupos de pesquisas em Educação do Campo no Paraná.

EIS A CAPA DO PRODUTO FINALIZADO.
A capa ficou muito boa.
Imagine o conteúdo interno.


22 de julho de 2013

Onde eu nasci - Nildo Brandão

Meu mano, Nildo Brandão, fez uma música por ocasião do retorno, em 2008, de nossos pais (Pedro Alves Canuto e Elizabeth Brandão Canuto) a Mata Grande, interior do Nordeste, Estado de Alagoas, bem sertão, recordando os tempos que residimos por lá entre 1960 e 1965. Ouçamos:

21 de julho de 2013

Onde eu nasci - Nildo Brandão

A letra abaixo é de meu mano Nildo Brandão, lembrando de nossa terra natal em Mata Grande-Alagoas na década de 1960. Fez dias antes de meus pais retornarem para visitar Mata Grande, em 2008. A música está pronta e a qualquer momento será anexada.

ONDE EU NASCI

Voltando ao passado me vem à lembrança
Da minha infância ó meu Deus que saudade
Dos tempos que a gente morava no sítio
Mesmo com sacrifício era felicidade
Das rezas que tinham pela vizinhança
Daquelas crianças com quem eu brinquei
Por onde elas andam só Deus é quem sabe
Só sei que a saudade apertou e eu chorei.

Chorei de saudade da nossa casinha
Dos pés de coqueiros e do manjericão
Do cavalo preto e da vaca mancinha
Do plantio de milho, arroz, cana e feijão
E do povoado daquela região
Dos pés de fruteiras à beira da estrada
Das grandes boiadas cruzando o sertão.

Chorei de saudade do carro de bois
Do boi pantaneiro e do ribeirão
Do rio cristalino e das cachoeiras
Dos pés de mangueiras lá do terreirão
Do gado berrando em plena madrugada
E da passarada em perfeita harmonia
Do galo anunciando que vem mais um dia
Da estrela da guia e da Lua prateada.

Meu Deus quanta coisa estou revendo agora
Até a escola aonde estudei
A professora com suas histórias
É tanta saudade que me arrepiei
Tenho fé que um dia voltarei por lá
Rever o lugar que não esqueci
Hoje em pensamento gravado em memória
É essa a história de onde eu nasci.

Autores: Nildo Brandão e Tião Madeira