Acabamos de chegar de duas festas, dos 22 anos de história do assentamento da Reforma Agrária "Pontal do Tigre", na região de Querência do Norte. Os assentados comemoraram a chegada na área e, desde a noite de ontem (sábado, dia 26) dançaram e festejaram a vitória conquistada. Do cardápio fez parte produtos da própria terra: quentão, pipoca, bata doce, carne, muita música, dança caipira e fogueiras.
Foto: Maria Cecílio
Chegamos no assentamento por volta das 21 horas do sábado e, participamos na festa organizada pelo grupo procedente da cidade de Amaporã (foto acima). Hoje, dia 27, almoçamos com as famílias que procederam da cidade Reserva (foto abaixo).
Foto: Elias Brandão
Um pouco de história:
Há 25 anos atrás (1985) ocorreu o primeiro acampamento de sem-terras na região Noroeste do Paraná, na rodovia próximo ao trevo de Piracema, município de Paranavaí. No ano seguinte, as famílias de acampados ocuparam uma pequena área do Estado nas proximidades de Amaporã e, posteriormente, fixaram acampamento na beira da Rodovia, em frente a mesma área, aguardando que fossem assentados.
Três anos depois (26 de outubro de 1988), juntamente com outros grupos de famílias de diferentes cidades do Paraná, ocuparam a fazenda Pontal do Tigre, do então Grupo Atalla, em Querência do Norte, ao lado do Rio Paraná e Rio Ivaí. Na época este professor-blogueiro era coordenador da Comissão Pastoral da Terra do Paraná e acompanhou o desenrolar social e político da ocupação: ameaças, prisões e perseguições.
Dez anos depois (1997) os sem-terras acampados foram definitivamente assentados na mesma área e neste final de semana comemoraram os 22 (vinte e dois) anos de chagada naquelas terras - o Pontal do Tigre. Quando chegaram na fazenda, em 1988, a fazenda estava abandonada e, parte da área estava tomada por pasto e matagais. Aproximadamente três mil cabeças de gado eram, de quando em vez, transportadas para a área visando justificar a área como produtiva. Após a ocupação o grupo Atalla resistiu à desapropriação pelo governo federal, defendendo que a área era produtiva.
Até 1995, Querência do Norte era uma cidade quase que fantasma até antes do assentamento definitivo. O comércio era devagar, com comerciantes indo a falência. Bancos fechando. Igrejas sem fiéis. ruas sem carros e pessoas transitando, podendo ser utilizada como secadora da pouca produção dos agricultores.
Hoje, 2010, enquanto almoçava, fazia os cálculos com alguns assentados do que existe naquela área ocupada em 1988:
* Mais de 300 famílias assentadas;
* Mais de 10 mil cabeças de gado;
* Mais de 10 mil galinhas;
* Aproximadamente 10 mil porcos;
* Aproximadamente 300 veículos de passeio;
* Dezenas de caminhões, tratores e colheitadeiras;
* Uma escola e um colégio estadual atendendo aproximadamente mil alunos da área, de outras áreas e das ilhas do Rio Paraná.
* Uma Querência do Norte ativamente desenvolvida. Em 1988, a cidade de Querência estava falida, triste e abandona social e politicamente. Em 2010, somado aos demais assentamentos da região de Querencia, está com um comércio ativo; o movimento mais que triplicou; centenas de residências foram reconstruídas em alvenaria; cooperativas, bancos e indústrias foram reativados; várias religiões foram criadas. Na prática a cidade ressurgiu social, político, econômico, religioso e cultural.
DEPOIS DIZEM QUE REFORMA AGRÁRIA NÃO DÁ CERTO.
QUEM DUVIDAR, VÁ A QUERÊNCIA E CONSTATE.
É SIMPLESMENTE ADMIRÁVEL.